O que você precisa saber antes de protocolar
Você não muda uma rua no grito. Você muda uma rua com método.
Eu já vi projeto bom morrer por causa de detalhe bobo. Nome repetido em outro bairro. Croqui errado. Morador pego de surpresa. Prefeito segurando porque ninguém conversou antes.
Você, como cidadão, também precisa entender o jogo. Quando você me procura no gabinete para trocar o nome de uma rua, você não está pedindo um favor pessoal. Você está pedindo um ato público que mexe com endereço, serviço e memória.
E eu tenho um dever aqui. Eu preciso equilibrar três coisas ao mesmo tempo: legalidade, interesse público e paz social. Se uma dessas três falha, o projeto vira dor de cabeça para todo mundo.
A regra que mais ajuda é simples: quanto mais antiga e consolidada a denominação, mais forte precisa ser o motivo e mais bem costurada precisa ser a conversa. A própria lógica de evitar “troca por troca” aparece no debate público sobre renomeação.
Mudança de nome não é só placa
Quando a gente fala “trocar o nome”, muita gente imagina uma placa nova na esquina. A vida real é outra.
O nome da rua entra em cadastro imobiliário, saúde, educação, assistência social. Entra na rota da ambulância. Entra na entrega de remédio. Entra no aplicativo que chama carro.
Por isso a renomeação tende a ser rara. Quando um veículo de imprensa explica o tema, ele faz questão de dizer que a troca puxa “mudanças de ordem burocrática”. Isso não é exagero. É a prática.
Existe também o custo invisível para o morador. Documento, correspondência, cadastro de banco, cadastro de loja, cadastro de tudo. Se você já passou por mudança de endereço, você sabe o tamanho do transtorno.
É aqui que o vereador experiente faz diferença. Eu não vendo ilusão. Eu coloco o impacto na mesa desde o primeiro atendimento.
E eu faço uma pergunta no meio da conversa, não para enrolar, mas para calibrar: a rua precisa mesmo mudar de nome, ou a gente consegue resolver o problema com outra medida? Esse tipo de filtro evita briga desnecessária e protege o cidadão de frustração.

Por que a renomeação costuma gerar resistência
A primeira resistência é cultural. A rua é referência de identidade. Nome vira história contada na padaria, no ponto de ônibus, na boca do povo.
A segunda resistência é prática. O morador quer previsibilidade. Ele quer que o poder público não invente moda a cada gestão. Esse argumento aparece com clareza em conteúdos explicativos que alertam contra uso “político” da mudança.
A terceira resistência é institucional. Nem todo mundo dentro do Executivo gosta de mexer em cadastro, placa e sistema. Se você chega com projeto sem conversa prévia, a tendência é empurrar para depois.
E tem a resistência jurídica, que é a mais perigosa. Mudança de nome mexe com princípios constitucionais quando vira homenagem “fora do tom” ou quando tenta promover pessoa viva. Esse ponto é um clássico em decisões e análises sobre moralidade e impessoalidade.
Por isso, quando você me pede uma alteração, eu não quero só saber “qual nome você quer colocar”. Eu quero saber “qual problema você está tentando resolver”.
Denominar e renomear não são a mesma coisa
Denominar é dar nome, muitas vezes para uma via que ainda está sem nome oficial, ou que existe informalmente. Renomear é mexer em algo que já virou referência.
Na prática, denominar costuma ser mais fácil. Você corrige um vazio. Você cria um endereço. Você resolve um problema de localização que atrapalha serviço público.
Projetos de vereadores sobre nomeação de ruas frequentemente justificam isso citando impacto em ambulância e segurança, exatamente porque a rua sem nome atrapalha a vida de quem mora ali.
Renomear é outra conversa. Você troca uma referência consolidada. Você precisa de um motivo mais robusto. Você precisa de mais adesão social.
E você precisa de mais amarração técnica. Porque, ao contrário do que parece, a pergunta mais difícil não é “pode?”. A pergunta mais difícil é “vale a pena agora?”.
Eu gosto de tratar isso como duas caixas diferentes no gabinete. Se você chega com pedido de denominação, eu peço um conjunto de documentos. Se você chega com pedido de renomeação, eu peço um conjunto maior e eu faço mais reuniões. Assim eu protejo você e protejo a Câmara.
Competência e limites: onde a Câmara manda e onde ela precisa fazer parceria
O primeiro ponto que eu deixo claro é esse: denominação e alteração de denominação de rua é tema municipal porque é interesse local. A Constituição dá ao Município competência para legislar sobre assuntos de interesse local.
Então sim, faz sentido você procurar um vereador. Faz sentido a Câmara discutir esse tipo de proposta. Isso é parte do nosso trabalho.
Mas competência não significa carta branca. O vereador não pode usar nome de rua como palco de vaidade. Nem pode ignorar regras federais e princípios constitucionais.
Eu já vi projeto ser questionado por parecer jurídico e eu já vi projeto virar polêmica pública porque passou da linha. O vereador experiente evita isso no rascunho, antes de virar manchete.
O segredo é conhecer dois trilhos ao mesmo tempo: o trilho jurídico e o trilho político. Se você anda só no político, você tropeça na legalidade. Se você anda só no jurídico, você não aprova nada.
Interesse local e autonomia municipal como base
A lógica é simples: rua é parte do ordenamento urbano. Endereço é infraestrutura. É por isso que o tema cai dentro do guarda-chuva do interesse local.
O art. 30 da Constituição lista competências municipais e começa cravando o ponto: compete aos Municípios legislar sobre assuntos de interesse local.
Quando você traduz isso para a prática, dá nisso: o Município organiza seu espaço, define referência, padroniza cadastro, e cria regras para denominar e, quando necessário, alterar.
Por isso você encontra leis municipais bem detalhadas tratando de denominação e alteração de denominação, como acontece em São Paulo, que consolida regras próprias sobre o tema.
Eu uso esse exemplo de São Paulo só para ilustrar uma coisa: cada Município cria seus “freios e procedimentos”. O que muda é o detalhe. O que não muda é a necessidade de respeitar Constituição e leis federais.
E é aqui que entra o vereador que faz a lição de casa. Antes de escrever a primeira linha do projeto, eu mando a equipe abrir a Lei Orgânica do Município e a lei municipal específica sobre nomenclatura urbana, quando ela existe.
Tema 1070 do STF e competência comum
Existe uma disputa antiga no Brasil: quem pode dar nome ou mudar nome de rua? O Prefeito, por decreto, ou a Câmara, por lei?
O Supremo enfrentou isso no Tema 1070, em repercussão geral. E o recado foi objetivo: a competência é comum aos poderes Executivo (decreto) e Legislativo (lei formal), cada um no âmbito de suas atribuições.
Repara no detalhe importante: “cada qual no âmbito de suas atribuições”. Isso não autoriza um Poder a engolir o outro. Isso organiza a convivência.
Na prática legislativa, o caminho mais conhecido ainda é o Projeto de Lei que passa pela Câmara e vai para sanção do Prefeito. Conteúdo jornalístico e explicativo reforça esse fluxo: projeto na Câmara, análise técnica do Executivo, e sanção do Prefeito.
Esse desenho é importante para você entender o timing. Se você quer mudar nome de rua e chega só com “vontade”, você vai ouvir “não dá”. Se você chega com documento, adesão e conversa com o Executivo, você muda o jogo.

E por que eu bato tanto nisso? Porque o veto existe. E porque a Prefeitura costuma ter áreas técnicas que precisam validar cadastro, duplicidade, padronização, e impacto de implementação.
O Tema 1070, na prática, fortalece o vereador preparado. Ele dá lastro para a gente propor, mas também nos obriga a saber negociar e fazer o processo direito.
Moralidade, impessoalidade e o risco de “homenagem virar promoção”
Aqui é onde a maioria dos pedidos tropeça.
Existe uma tentação clássica na política local: colocar nome de aliado, padrinho, liderança viva. Isso é o tipo de coisa que estoura na sua mão depois.
A Lei federal nº 6.454/1977 proíbe, em todo o território nacional, atribuir nome de pessoa viva a bem público pertencente à União ou à administração indireta.
E em 2013, a Lei nº 12.781 alterou essa lei para vedar homenagem, na denominação de bens públicos, a pessoa condenada pela exploração de mão de obra escrava.
Alguém pode me dizer: “vereador, mas isso fala de União e administração indireta”. Verdade. Só que o debate constitucional e a jurisprudência sobre moralidade e impessoalidade fazem esse tema contaminar o ambiente municipal. E análises técnicas reforçam que denominação na Câmara precisa respeitar esses princípios para não virar promoção pessoal.
Então eu faço assim: se você quer homenagear alguém, ótimo. Mas eu começo perguntando se a pessoa está viva. Se estiver, eu já te explico o risco e eu não animo essa briga.
Também avalio o “nome problemático” por outro ângulo: a cidade muda e a história cobra. Nomes de rua carregam memória coletiva. E a Câmara, quando mexe nisso, precisa justificar com seriedade.
Esse cuidado não é frescura. É proteção do mandato e respeito ao morador.
Quando faz sentido propor a alteração do nome de uma rua
Agora vamos para o que você queria desde o início: quando eu, vereador, decido que vale a pena propor a alteração.
Eu não trato renomeação como “pauta fácil”. Pauta fácil vira pauta explosiva. Eu trato como pauta sensível.
O melhor jeito de decidir é olhar para o motivo. Motivo fraco gera reação forte. Motivo forte, bem explicado, reduz ruído.
Você vai ver que os exemplos mais usados publicamente caem em três grupos: confusão e duplicidade, constrangimento e ridicularização, e incompatibilidade com direitos humanos ou valores públicos atuais.
Eu complemento esses grupos com um teste de realidade: existe adesão dos moradores? Existe solução alternativa? Existe risco jurídico? Existe capacidade de implementação?
Se você passa nesses filtros, aí sim eu sento para escrever o projeto com você.
Quando existe duplicidade ou confusão
Duplicidade é o caso mais “limpo” politicamente. Porque você resolve um problema objetivo.
Duas ruas com o mesmo nome na mesma cidade geram confusão. Entrega erra. Serviço público erra. Emergência pode se perder.
Por isso conteúdos voltados ao público citam duplicidade como hipótese de mudança e, em alguns casos, recomendam que se altere a denominação mais recente.
Aqui, eu faço o básico bem feito. Eu mando a equipe cruzar cadastro municipal e mapas oficiais. Eu verifico se não existe “nome parecido demais” que também confunda.
Eu também verifico se há moradia na via. Quando é via sem casa, a resistência tende a ser menor. Quando tem morador, a conversa precisa ser séria.
No texto jornalístico que viraliza, aparece a ideia de buscar aprovação/anuência dos moradores em certos casos de mudança, especialmente quando a via tem residências.
Na prática, eu não espero virar obrigação legal para ouvir morador. Eu ouço porque é inteligente.

Quando o nome expõe moradores ao constrangimento
Esse é o tipo de pauta que parece pequena, mas mexe com dignidade.
Nome vexatório expõe o morador ao ridículo. Puxa piada. Puxa constrangimento em entrevista de emprego. Puxa bullying escolar.
Por isso aparece como hipótese reconhecida publicamente para alteração, condicionada à anuência dos residentes.
Aqui eu faço questão de um cuidado: eu peço exemplos concretos. Eu peço relatos. Eu peço registros, quando possível.
Porque eu não posso basear um projeto de lei só em “eu acho feio”. Eu preciso mostrar por que aquilo é dano social.
Eu também avalio se a mudança vai de fato resolver o problema. Às vezes o problema não está no nome formal, mas no apelido popular que pegou. Se você muda o nome oficial e o apelido continua, você só gastou energia.
Quando eu entendo que é caso real, eu caminho. Porque dignidade do morador pesa.
Quando a homenagem afronta direitos humanos ou memória coletiva
Essa é a pauta mais delicada e, ao mesmo tempo, mais defensável quando bem feita.
Você não está “apagando história”. Você está decidindo quem merece homenagem pública. Rua é homenagem.
Em São Paulo, por exemplo, existe lei municipal que permite alteração quando se tratar de denominação referente a autoridade que cometeu crime de lesa-humanidade ou graves violações de direitos humanos.
O conteúdo jornalístico também reforça essa hipótese e ainda lembra que o caminho é Projeto de Lei, com passagem por análise técnica da Prefeitura antes da aprovação final.
Eu gosto de tratar isso com dois pilares: prova e diálogo.
Prova significa mostrar por que a homenagem virou um problema público. Não é opinião solta. É fato documentado, decisão judicial, relatório histórico, ou marco legal local.
Diálogo significa conversar com moradores, entidades culturais, escola da região, e ouvir a cidade. Porque quando você muda nome com esse peso, você precisa comunicar muito bem.
Se você tenta empurrar isso sem conversa, você cria um conflito que poderia ser desnecessário. Se você faz bem feito, você aprova e ainda educa a cidade sobre memória.
Como montar um projeto que passa: documentos, diálogo e redação
Aqui é onde eu vejo a diferença entre “pedido” e “proposta”.
Pedido é: “vereador, troca o nome da rua”. Proposta é: “vereador, aqui está o motivo, a adesão, o mapa, e um nome substituto com justificativa”.
Se você quer que eu coloque meu CPF político no texto, eu preciso desse pacote mínimo.
E eu não estou sendo burocrático por prazer. Eu estou cortando risco. Eu estou evitando que você gaste meses e saia sem nada.
O próprio debate público reconhece que cada denominação exige um projeto e que o processo pode ser burocrático. A burocracia vira aliada quando ela vira método.
Eu organizo o trabalho do gabinete como se fosse um funil. Primeiro, eu valido se o motivo é defensável. Depois, eu valido se o nome novo passa nos filtros. Depois, eu monto o dossiê técnico.
Isso acelera comissões, reduz pedido de vista, e melhora a conversa com o Executivo.
Requerimento bem feito
Todo projeto bom começa com um atendimento bom.
No gabinete, eu sempre peço que você escreva em uma folha simples três coisas: nome atual, nome proposto, e motivo.
Depois eu peço dados objetivos. Qual é o trecho? De onde até onde? Qual bairro? Quantas casas? Tem comércio? Tem escola? Tem unidade de saúde?
Isso organiza a conversa e evita aquele problema clássico: projeto “genérico” que não identifica corretamente o logradouro.
Quando o tema é denominação para dar endereço a uma comunidade, projetos costumam justificar pelo impacto em serviços essenciais, como chegada de ambulância e viatura. Isso ajuda a ilustrar como você deve contextualizar o interesse público.
Quando é renomeação, eu acrescento uma pergunta que muda tudo: quem perde com essa mudança e como a gente reduz essa perda?
Essa pergunta obriga o projeto a trazer medidas de transição e comunicação.
E aí sim eu passo para a parte técnica.
Croqui, localização e checagem de duplicidade
O croqui é o ouro do processo. Sem croqui, você vira refém de dúvida e contestação.
Algumas prefeituras têm serviço específico para isso, com análise de existência do logradouro, localização, presença de moradores, denominação atual e checagem de duplicidade.
Eu uso esse padrão como referência, mesmo quando o meu município não tem exatamente o mesmo serviço formal.
Eu peço para a área técnica do Executivo, quando possível, ou para o setor de urbanismo, confirmar o desenho e a identificação.
Eu também checo nome semelhante. Não adianta “Rua das Flores” virar “Rua Flor”. O morador continua se perdendo e a cidade continua errando.
E eu gosto de checar em mapas digitais e nos cadastros oficiais, porque o povo usa as duas coisas. Se você ignora o mapa digital, você cria uma crise de atualização depois.
Essa etapa resolve 70% dos problemas que estouram lá na frente.
Participação dos moradores e abaixo-assinado
Você não precisa transformar toda renomeação em plebiscito. Mas você precisa ouvir quem mora ali.
O próprio debate público sobre renomeação aponta a necessidade de anuência dos residentes em alguns cenários, especialmente em casos de duplicidade com casas ou em nome vexatório.
Eu gosto de fazer de um jeito prático. Eu peço uma lista de assinaturas com nome, número, endereço e contato.
Eu também peço fotos de reuniões, quando existem, e um relato do que foi discutido. Isso ajuda a mostrar boa-fé.
Se a comunidade está dividida, eu não finjo que não está. Eu tento construir um nome que una ou, se não der, eu seguro o projeto até o clima melhorar.
Você pode até conseguir aprovar na marra. Mas depois você vai ter morador batendo na porta da Câmara todo mês. E ninguém merece isso.
A política municipal é de proximidade. Quem acha que dá para “passar por cima” do morador não entendeu a cidade.
Tramitação na Câmara e articulação com o Executivo
Agora eu vou te colocar dentro do plenário, do jeito que acontece.
O projeto entra. Ele precisa tramitar. Ele precisa de parecer. Ele precisa de voto.
E, no caso de nome de rua, ele também precisa de “paz com o Executivo”, porque no mundo real a Prefeitura vai executar placa, cadastro e atualização.
Conteúdos que explicam o tema ao público deixam isso claro: depois da aprovação na Câmara, o projeto segue para sanção do prefeito.
O vereador experiente não espera o projeto ser aprovado para começar a conversar. Ele conversa antes. Ele alinha antes. Ele tira as dúvidas antes.
Isso não tem nada a ver com “submissão”. Tem a ver com governabilidade.
E tem a ver com respeitar a competência comum, reconhecida no Tema 1070 do STF.
Protocolo, comissões e plenário
O caminho padrão, em linhas gerais, é: protocolo no setor legislativo, leitura/expediente, comissões, e plenário.
Cada Câmara tem seu Regimento Interno e suas comissões permanentes. Mas a lógica é parecida: a Casa precisa checar juridicidade e mérito.
É na Comissão de Constituição e Justiça, ou equivalente, que muitos projetos travam. Travam por vício de redação, por falta de clareza, por falta de documento.
Eu não espero a comissão apontar. Eu mando o jurídico do gabinete revisar antes. Eu peço para a Procuradoria da Casa sinalizar riscos, quando possível.
Você encontra pareceres jurídicos de câmaras pelo Brasil exatamente sobre isso: avaliar se projeto de denominação ou alteração atende requisitos legais e se respeita limites como não atribuir nome de pessoa viva.
Quando o projeto chega redondo, o debate vira sobre mérito, não sobre “erro formal”.
No plenário, eu sempre tento resumir o caso em três frases. Motivo, adesão, e impacto. Vereador vota com base nisso quando o plenário está cheio e o tempo é curto.
Esse é o jogo real.
Parecer jurídico e ajustes de redação
Parecer jurídico não serve para “complicar”. Serve para evitar que a lei caia no Judiciário depois.
O texto técnico-jurídico sobre limites da Câmara é claro ao trazer moralidade e impessoalidade como freio e ao lembrar que o Legislativo deve exercer competência dentro de princípios constitucionais.
Quando o parecer aponta risco de promoção pessoal, eu não discuto no grito. Eu reescrevo. Eu troco o nome. Eu ajusto justificativa.
Quando o parecer aponta risco de conflito de competência, eu reforço a base: interesse local e competência comum no Tema 1070.
O detalhe “nome de pessoa viva” é onde eu sou mais rígido. Eu corto de cara. Porque isso tende a virar problema.
E, quando o projeto entra em tema sensível de memória e direitos humanos, eu reforço o respaldo legal local quando existe, como no exemplo de São Paulo que criou hipótese expressa para mudar nomes ligados a crimes contra a humanidade.
Ajuste de redação é parte do serviço. Não é “ceder”. É profissionalizar.
Sanção do prefeito e análise técnica do Executivo
Depois de aprovado, o projeto costuma ir para sanção.
O jornalismo que trata do tema lembra que a mudança deve ser feita por Projeto de Lei e que, antes de ser aprovada, pode passar por análise técnica da Prefeitura.
O texto explicativo também reforça a ideia de que o projeto, aprovado na Câmara, segue para sanção do prefeito.
Eu trato essa etapa com uma estratégia simples: eu não espero o projeto voltar com veto para descobrir o motivo.
Eu converso com a área técnica antes. Eu pego o “ok” informal do cadastro e do urbanismo. Eu pergunto se existe duplicidade. Eu pergunto se o nome proposto fere regra local.
E eu calculo o custo político do veto. Se eu sei que vai vetar, eu seguro e ajusto. Eu evito desgaste para você, para mim e para a Casa.
Esse tipo de cuidado faz o projeto virar lei, e não virar manchete de “Câmara aprova, prefeito veta”.
Depois da lei: implementação e proteção do morador
Aqui é onde muita gente esquece do cidadão.
Aprovou. Virou lei. Publicou. Pronto? Não.
Agora vem a fase mais sensível: fazer a cidade obedecer a lei sem “ferrar” quem mora ali.
Por isso, quando eu vendo a ideia de renomear, eu já vendo junto o plano de implementação.
Eu explico para você o que vai acontecer com placa, cadastro e comunicação. Eu te dou prazo realista. Eu combino como o gabinete vai acompanhar.
E eu digo a verdade: se a Prefeitura não executar bem, o morador vai culpar o vereador. Mesmo que a execução seja do Executivo.
Então meu mandato não termina na votação. Meu mandato continua no acompanhamento.
Para mostrar isso de forma visual, olha como uma simples placa de rua é parte da infraestrutura urbana e da orientação de quem circula na cidade.

Placas, mapas e cadastros
A primeira entrega concreta é a sinalização.
Em cidades que padronizam sinalização, a própria gestão municipal mostra a troca de placas como parte do processo de nomenclatura urbana.
Mas placa é só um lado. Eu cobro também atualização de base interna: cadastro imobiliário, base de logradouros, sistemas de atendimento.
Se o sistema interno está atualizado e a placa não está, ainda dá para se virar. Se a placa está e o cadastro não está, você cria confusão institucional.
Eu também cobro atualização de mapotecas digitais quando o município tem convênio ou rotina. Porque hoje a cidade se navega pelo celular.
E eu faço questão de que a lei descreva corretamente o logradouro. Nome, extensão, bairro. Se isso fica genérico, a execução vira improviso.
A lei sem execução é papel. E o cidadão não mora no papel.
Correios, CEP e serviços essenciais
Quando a rua muda de nome, o impacto que mais aparece no bolso do morador é correspondência e serviço.
Mesmo quando o tema é “legalizar rua” e dar nome para criar endereço, a lógica já aparece: aprovado o projeto de lei, oficializa-se a rua e se comunicam órgãos como Correios para criação de CEP.
Na renomeação, o raciocínio é parecido: você precisa atualizar bases para evitar devolução e extravio.
Eu costumo orientar o morador a manter, por um período, referência dupla em cadastros privados: “nome novo (antigo nome)”. Isso reduz falha humana.
Eu também sugiro que a Prefeitura, quando possível, use placa temporária com “antiga denominação” por alguns meses. Isso evita que motorista de aplicativo se perca e evita que entrega erre.
Essa prática de transição não precisa ser complicada. Ela precisa ser planejada.
E eu faço questão de monitorar reclamações na ouvidoria e no gabinete. Porque a rua renomeada costuma virar “termômetro” da competência do poder público.
Comunicação pública e prazo de transição
Renomeação sem comunicação vira conflito.
Quando o morador acorda e vê placa nova sem aviso, ele se sente desrespeitado. Nem importa se o motivo é bom.
Por isso eu uso linguagem simples. Eu explico o motivo, o processo e o prazo. Eu faço reunião em escola, associação, igreja, onde a comunidade realmente vai.
Eu também deixo a Câmara aberta para escuta. Porque o nome da rua mexe com identidade.
Em temas de memória e direitos humanos, essa comunicação fica ainda mais importante. Você precisa explicar por que a cidade está mudando o homenageado, e qual valor público ela está afirmando.
E eu fecho esse ciclo com uma coisa que parece pequena, mas muda tudo: eu aviso quando começa e quando termina a transição.
A cidade não precisa de surpresa. A cidade precisa de previsibilidade.
Para lembrar que esse processo acontece dentro da Casa legislativa municipal e tem peso simbólico, aqui vai uma imagem do edifício da Câmara Municipal do Recife, que representa exatamente esse papel institucional.

Com mais de 10 anos de atuação nos bastidores da política, Marcelo consolidou sua carreira como um estrategista focado em transformar a comunicação de líderes municipais. À frente do https://vereanca.com.br/, ele une sua paixão pela democracia à expertise técnica para oferecer o guia definitivo sobre o universo dos vereadores no Brasil.
Trajetória e Expertise
Especialista em Marketing Político e Comunicação Eleitoral, Marcelo compreende que a política municipal possui uma dinâmica única: é o “corpo a corpo”, a confiança do bairro e a solução de problemas reais que definem um mandato de sucesso.
Ao longo de sua trajetória, ele já:
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Coordenou estratégias de comunicação para campanhas legislativas vitoriosas.
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Atuou no treinamento de assessores e parlamentares, focando em posicionamento digital e gestão de reputação.
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Desenvolveu metodologias para traduzir o trabalho legislativo técnico em uma linguagem que o eleitor entende e valoriza.
A Visão por trás do Vereança
Para Marcelo, a figura do vereador é a engrenagem mais importante da democracia, mas também a menos compreendida. Ele fundou o portal com a convicção de que informação é poder. Sua missão é dupla:
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Para o Vereador: Fornecer as ferramentas para um mandato moderno, ético e comunicativo.
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Para o Cidadão: Oferecer clareza sobre como fiscalizar e participar da política local.
O Que Marcelo Acredita
“O marketing político de verdade não é sobre criar personagens, mas sobre dar voz ao trabalho que impacta a vida das pessoas. No Vereança, meu compromisso é mostrar que a política feita com técnica e transparência é o único caminho para cidades mais fortes.”
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