Este artigo foi escrito em tom de gabinete, com a visão de quem já conhece rua, plenário, comunidade e rede social. A ideia é simples: eleição passa, mandato fica. E quem some depois da urna começa a perder capital político antes mesmo de perceber.
Tem uma verdade que eu aprendi cedo na vida pública. Voto é ponto de partida. Relacionamento é construção diária. O eleitor até pode ter escolhido você pela campanha, pela proposta ou pelo momento político. Só que ele continua medindo o seu mandato pelo contato que você mantém depois da posse.
Na prática, o que sustenta um mandato não é só a sessão bem feita, a indicação protocolada ou a emenda que saiu. Isso conta, claro. Mas o que transforma apoio de campanha em base de confiança é a soma de presença, escuta, clareza e entrega. Gente não gosta de ser procurada só quando chega o tempo da urna. Gente gosta de se sentir respeitada durante o caminho inteiro.
Quem ocupa uma cadeira no Legislativo municipal vive esse desafio de forma muito concreta. O vereador está perto do problema real. É buraco, posto de saúde, escola, regularização, transporte, iluminação, limpeza, direito do bairro e acesso a serviço. E, justamente por estar perto, também é cobrado mais rápido. O cidadão não espera só posicionamento. Ele espera retorno.
Por isso, manter o relacionamento com os eleitores após as eleições não é um detalhe de marketing. É parte da governança do mandato. É método político. É proteção de imagem. É ferramenta de escuta. E, acima de tudo, é respeito com quem confiou em você.
A lógica deste texto é prática. Você vai encontrar aqui estrutura, rotina, postura, canais, erros comuns e formas de transformar a comunicação pós-eleição em presença política consistente.
1. O que muda depois da urna
Depois da eleição, o clima muda. Na campanha, quase tudo gira em torno de mobilização. No mandato, a régua sobe e a cobrança fica mais específica. Antes, o eleitor queria saber quem você era e o que você defendia. Depois, ele quer saber o que você fez, por que fez, com quem fez e quando aquilo vai chegar na vida dele.
Esse é o primeiro ajuste mental que um vereador precisa fazer. O canal não serve mais só para pedir apoio. Ele serve para prestar contas, ouvir prioridade, organizar demanda e formar comunidade política real. Quem não entende essa virada continua falando como candidato quando já deveria estar agindo como representante.

Imagem 1. A relação pós-eleição precisa sair do discurso e entrar na rotina de presença.
1.1 Campanha termina, vínculo não
Muita gente pensa que o vínculo com o eleitor se resume ao período eleitoral. Esse é um erro clássico. O eleitor continua observando. Ele lembra do que foi prometido, compara com o que aparece no gabinete e percebe rápido quando a comunicação some. O silêncio pós-eleição passa uma mensagem ruim, mesmo quando o mandato está trabalhando.
No universo de vereador isso é ainda mais delicado, porque o mandato é muito territorial. O cidadão cruza com você no mercado, na escola do filho, na missa, na reunião de bairro e na rede social. Não existe distância confortável. Ou você sustenta um diálogo coerente ou deixa espaço para frustração, ruído e boato.
O ponto central é simples. Você não precisa estar em todo lugar o tempo todo. Mas precisa construir a percepção de que o seu mandato continua acessível. O eleitor aceita limite. O que ele não aceita é abandono.
1.2 O eleitor não quer só promessa, quer acompanhamento
Depois da eleição, o cidadão muda o tipo de expectativa. Ele não quer só ouvir bandeira. Ele quer entender andamento. Quer saber se a pauta avançou, se houve conversa com a secretaria, se a indicação foi respondida, se o projeto entrou na comissão, se a reunião com a comunidade gerou algum encaminhamento de verdade.
Esse acompanhamento é parte da confiança. Quando o mandato mostra processo, mostra bastidor e mostra estágio da entrega, ele organiza a percepção pública. Sem isso, a população tende a achar que nada está acontecendo, mesmo quando existe trabalho técnico em curso.
Quem faz política na ponta sabe bem. Às vezes o problema não se resolve em quinze dias. Mas uma resposta clara em dois dias já reduz tensão, melhora o ambiente e mostra respeito. O eleitor tolera tempo. O eleitor não tolera indiferença.
1.3 Presença política é diferente de aparecer
Outro ajuste importante é entender a diferença entre presença e exibicionismo. Não adianta publicar foto o dia inteiro e não responder ninguém. Não adianta fazer vídeo bonito e ignorar o bairro que está cobrando agenda. Presença política de verdade tem conteúdo, contexto e consequência.
O mandato precisa ser visto como alguém que informa, escuta, articula e devolve resposta. Isso não se resolve com postagem vazia. Se resolve com linha editorial coerente, calendário de comunicação, canais abertos e acompanhamento de demanda.
Em resumo, depois da urna o jogo deixa de ser volume e passa a ser consistência. É aí que nasce a relação duradoura.
2. Como transformar os canais de campanha em canais de mandato
Quem sai da eleição com rede social aquecida, lista de contatos organizada e base digital ativa já largou na frente. O problema é que muita equipe encerra a campanha e abandona justamente os canais que poderiam virar ponte com a população. Esse é dinheiro político jogado fora.
O caminho certo é fazer transição. O canal deixa de pedir voto e passa a prestar serviço público de comunicação. A linguagem muda. A estética amadurece. A mensagem sai do clima de disputa e entra no clima de utilidade. E o público precisa perceber essa virada com clareza.WhatsApp, rede social, gabinete e rua
Imagem 2. O canal da campanha precisa virar canal de serviço, escuta e prestação de contas.
2.1 Rede social precisa ter função
O perfil do vereador não pode ser apenas vitrine pessoal. Ele tem que ter função pública. Isso significa usar a rede para informar agenda, explicar votação, mostrar encaminhamento, responder dúvidas recorrentes e traduzir temas complicados para uma linguagem que a comunidade entenda.
Tem vereador que acha que comunicar é publicar. Não é. Comunicar é fazer a mensagem chegar com sentido. Um vídeo curto explicando por que um projeto ainda está parado vale mais do que dez artes genéricas com frase de efeito. O eleitor presta atenção quando percebe utilidade.
Também é importante organizar formatos. Bastidor para aproximar. Prestação de contas para consolidar confiança. Serviço para gerar valor. Posicionamento para dar nitidez ideológica. Escuta para mostrar abertura. Quando cada formato tem função, a comunicação para de ser improviso.
2.2 WhatsApp não é só disparo, é relação
No município, o WhatsApp continua sendo um dos canais mais fortes de circulação política. Só que ele pode ser uma bênção ou um problema. Se o mandato usa o aplicativo só para despejar material, logo cansa a base. Se usa de forma segmentada, com critério e retorno, o canal vira ativo poderoso.
O ideal é separar listas por região, pauta ou perfil de interesse. Um grupo de lideranças comunitárias não recebe a mesma conversa de um grupo de juventude. Quem acompanha saúde precisa receber atualização relevante sobre saúde. Quem acompanha mobilidade quer notícia objetiva sobre trânsito, ônibus e acessibilidade.
O segredo aqui é respeito. Respeito ao horário. Respeito ao volume. Respeito ao contexto. O cidadão não quer ser tratado como massa de envio. Ele quer sentir que o mandato conhece sua realidade.
2.3 O gabinete precisa conversar com a rua
Canal digital sozinho não sustenta relacionamento. O gabinete precisa ter rotina de rua. Reunião em bairro, visita institucional, escuta com associação, agenda em equipamento público, presença em evento comunitário e conversa olho no olho continuam sendo parte da política municipal.
O erro está em separar demais as frentes. A equipe de comunicação diz uma coisa. O gabinete faz outra. O vereador agenda uma terceira. Isso desmonta narrativa e confunde o eleitor. Tudo precisa conversar. O que o gabinete ouve na rua alimenta o conteúdo digital. O que o digital aponta como demanda orienta a agenda presencial.
Quando rua e rede se alimentam mutuamente, o mandato ganha densidade. E densidade política vale mais do que barulho.
3. Como criar escuta ativa sem virar refém da cobrança
Todo mandato precisa ouvir. Mas ouvir sem método pode transformar a equipe numa central de incêndio permanente. A escuta ativa madura não é bagunça. Ela precisa de filtro, organização, prazo e devolutiva. Senão a percepção pública piora, porque a demanda entra e ninguém sabe para onde foi.
Quem quer manter relacionamento com eleitor precisa montar um sistema simples e disciplinado. Não basta abrir caixinha de pergunta. É preciso registrar, classificar, priorizar, encaminhar e responder. Esse ciclo faz o eleitor entender que o mandato não só lê mensagem. O mandato trabalha em cima dela.

Imagem 3. Escuta ativa funciona quando a demanda não morre na caixa de entrada.
3.1 Organize entradas de demanda
O primeiro passo é definir por onde a demanda entra. Pode ser formulário, WhatsApp do gabinete, atendimento presencial, rede social e reunião de bairro. O que não pode acontecer é cada assessor guardar pedido em conversa solta. A política municipal gera muita demanda fragmentada. Sem centralização, tudo vira memória individual.
Crie categorias simples. Saúde, educação, infraestrutura, assistência social, mobilidade, cultura, regularização e assim por diante. Marque bairro, urgência, data de entrada e status. Isso parece detalhe administrativo, mas é o que permite ao mandato sair do improviso e começar a enxergar padrão territorial.
Quando você organiza a entrada, ganha duas coisas ao mesmo tempo. Melhora o atendimento e melhora o olhar político. De repente, o mandato percebe que três bairros diferentes estão reclamando do mesmo problema. Isso muda a prioridade da atuação.
3.2 Devolutiva vale quase tanto quanto encaminhamento
Muito gabinete encaminha e não responde. Na visão do cidadão, isso é quase o mesmo que não ter feito nada. O eleitor não acompanha o trâmite interno do poder público. Quem precisa traduzir esse caminho é o mandato. Se houve ofício, informe. Se houve reunião, informe. Se a secretaria deu prazo, informe. Se não respondeu, informe também.
A devolutiva não precisa ser sofisticada. Precisa ser honesta. O que irrita a comunidade não é ouvir que algo vai demorar. O que irrita é não saber nada. Transparência simples reduz desgaste e aumenta confiança, porque mostra que o mandato trata a população como parceira e não como plateia.
Inclusive quando o resultado não vem, ainda assim existe política de qualidade na devolutiva. Você mostra o obstáculo, explica a limitação e deixa claro qual será o próximo movimento. Isso evita o desgaste do sumiço.
3.3 Escuta ativa também exige limite
Escutar não é prometer tudo. Vereador experiente sabe que boa parte do desgaste nasce da promessa mal colocada. Se você assume a dor de todo mundo como se tivesse caneta para resolver tudo, cria frustração em escala industrial. Relacionamento sério exige franqueza institucional.
É papel do mandato explicar o que cabe ao vereador, o que depende do Executivo, o que passa por comissão, o que exige articulação regional e o que foge da competência local. Esse tipo de pedagogia política não afasta o eleitor. Pelo contrário. Ajuda a formar uma base mais madura.
Mandato que coloca limite com respeito se fortalece. Mandato que promete o impossível só ganha um problema agendado para o futuro.
4. Como prestar contas sem soar artificial
Prestação de contas é um dos pilares do relacionamento pós-eleição. Só que muita equipe erra na forma. Faz conteúdo burocrático demais, com texto seco, excesso de número ou linguagem que só assessor entende. O cidadão comum não acompanha mandato por obrigação técnica. Ele acompanha quando entende o impacto da ação na vida dele.
Prestar contas bem é traduzir o trabalho. É pegar uma pauta complexa e explicar por que ela importa para o bairro, para a escola, para a unidade de saúde, para o comerciante, para a mãe atípica, para o jovem, para o trabalhador do transporte. Sem essa tradução, o mandato até informa, mas não conecta.

Imagem 4. Prestação de contas boa não é vaidade. É clareza sobre processo, resultado e impacto.
4.1 Mostre processo, não só placa pronta
Muita comunicação política só aparece no dia da entrega. Isso é pouco. O eleitor quer acompanhar o percurso. Quer ver a reunião, a articulação, o pedido, a cobrança, a votação, a visita técnica e o antes e depois. Quando o mandato mostra processo, ele educa a base sobre como a política funciona.
Isso tem uma vantagem enorme. Diminui a ideia de que o vereador só posa para foto na hora boa. Em vez disso, a população passa a enxergar método, insistência e trabalho continuado. E, francamente, isso é muito mais valioso para o vínculo de longo prazo.
Claro que você não precisa transformar cada passo em novela. A questão é dar visibilidade inteligente ao caminho da pauta. Isso fortalece a legitimidade do mandato e melhora a compreensão pública.
4.2 Fale a língua do bairro
Quem escreve para impressionar assessor perde eleitor. Linguagem de mandato precisa ser clara, direta e humana. Em vez de dizer que houve interlocução para otimização do fluxo intersetorial, diga que o gabinete cobrou a secretaria e conseguiu abrir diálogo para resolver tal problema. Parece simples, e é mesmo. Mas muita equipe ainda erra nisso.
Também vale usar exemplos concretos. Em vez de anunciar uma pauta de mobilidade de forma genérica, mostre que a mudança melhora o acesso ao hospital, reduz tempo na rota escolar ou organiza melhor o trânsito em dia de feira. O eleitor entende problema vivido, não jargão técnico.
Quanto mais a sua fala conversa com o cotidiano da cidade, mais a sua comunicação vira ponte. E ponte é o que mantém relação política em pé.
4.3 Dê nome ao impacto
Prestação de contas sem impacto nomeado fica abstrata. O mandato precisa dizer o que mudou e para quem mudou. Não basta falar que protocolou. Diga qual bairro foi atendido. Não basta dizer que fiscalizou. Diga qual irregularidade foi apontada. Não basta dizer que defendeu pauta. Diga por que aquela pauta importa na vida comum.
Esse tipo de clareza ajuda a base fiel e ajuda o eleitor ainda desconfiado. A pessoa pode até discordar de uma posição política, mas reconhece com mais facilidade quando vê coerência entre discurso e resultado.
Na política municipal, impacto concreto sempre fala mais alto. Quando você dá nome ao efeito real da atuação, o relacionamento deixa de ser abstrato e passa a ser memorável.
5. Como formar comunidade e não só audiência
Mandato forte não vive apenas de seguidor. Vive de comunidade. Seguidor vê. Comunidade compartilha, defende, chama para reunião, responde pesquisa, participa de agenda, comparece em audiência e leva a pauta adiante. Essa diferença muda tudo.
Depois da eleição, é comum a audiência esfriar. Isso é natural. A eleição gera adrenalina coletiva. O mandato exige rotina. Por isso, a missão passa a ser cultivar uma comunidade que permaneça conectada mesmo fora do pico emocional da campanha.
5.1 Crie espaços de participação recorrente
Comunidade política precisa de pontos de encontro. Pode ser plenária periódica, escuta temática, café com lideranças, reunião por bairro, live com perguntas reais, gabinete itinerante ou encontro com segmentos específicos. O importante é que exista constância e propósito.
Esses espaços não servem apenas para o mandato falar. Servem para a base se reconhecer, trocar percepção, trazer leitura local e sentir que faz parte de algo maior. Essa sensação de pertencimento é uma das matérias-primas mais fortes da fidelização política.
Quando o eleitor percebe que não foi lembrado só na foto da campanha, ele passa a defender o mandato com outro peso. Não porque foi convencido por peça publicitária, mas porque se sente parte do processo.
5.2 Segmentação melhora a conversa
Não existe um eleitor médio. Existe a cidade real, com interesses diferentes, territórios distintos e urgências desiguais. A dona de casa do bairro periférico não consome política igual ao jovem universitário, ao servidor público, ao pequeno empreendedor ou à liderança cultural. O mandato que fala com todo mundo do mesmo jeito acaba não falando com ninguém de maneira profunda.
Segmentar não é excluir. É respeitar contexto. Você pode ter uma linha narrativa central do mandato e, ao mesmo tempo, adaptar a conversa para públicos diferentes. Isso vale para conteúdo, para reunião, para grupo de mensagem e para escuta de prioridade.
Na prática, segmentação melhora aderência. E aderência é o que sustenta relacionamento de verdade.
5.3 Faça o eleitor sentir que a pauta também é dele
Uma pauta vira força política quando o eleitor enxerga seu papel nela. Isso pode acontecer de forma simples. Chamada para audiência. Pedido de relato local. Enquete sobre prioridade. Mobilização para reunião pública. Convite para acompanhar uma agenda importante. Prestação de contas com espaço para sugestão.
Quando o mandato abre espaço para o cidadão participar do percurso, o vínculo muda de patamar. A relação deixa de ser unilateral. O eleitor para de ser público passivo e vira parte ativa da construção.
Esse é o caminho para transformar simpatia em base. E base organizada faz diferença não só na próxima eleição, mas na governabilidade cotidiana do mandato.
6. Erros que afastam eleitores depois da eleição
Nem sempre um mandato perde relação com o eleitor por causa de uma grande crise. Muitas vezes ele perde aos poucos, por soma de pequenos erros. O problema é que esses erros costumam parecer inofensivos no começo. Quando a equipe percebe, a desconexão já virou reputação.
Vale olhar esses pontos com sinceridade, porque a política municipal pune o descuido de forma muito rápida. O comentário do bairro vira captura de tela. A ausência vira narrativa. O excesso de defesa vira antipatia.
6.1 Sumir ou falar só de si
O sumiço pós-eleição é um clássico. O canal que parecia vivo vira mural empoeirado. O gabinete trabalha, mas o eleitor não enxerga. Aos poucos, a imagem pública passa a ser de distância. Quando a comunicação volta, já volta em clima defensivo.
No outro extremo, existe o mandato que não some, mas só fala de si mesmo. Tudo vira foto, aplauso, homenagem, agenda de gabinete e celebração pessoal. Falta serviço, falta explicação, falta comunidade. Isso gera cansaço rápido.
A saída está no equilíbrio. O mandato precisa aparecer, mas principalmente precisa fazer sentido para quem acompanha.
6.2 Responder só na crise
Mandato que só se comunica quando é atacado entra numa espiral ruim. A base começa a associar presença com problema. A narrativa fica sempre reativa. E o eleitor que não acompanha a política todo dia passa a conhecer o mandato mais pela defesa do que pela entrega.
Comunicação contínua protege o mandato justamente porque cria estoque de confiança. Quando chega a crise, já existe contexto. Já existe memória de trabalho. Já existe canal de explicação. Sem isso, qualquer ruído cresce com mais facilidade.
Crise se administra melhor quando a rotina foi bem construída antes. Esse é um aprendizado duro, mas muito verdadeiro na vida pública.
6.3 Prometer o que não cabe ao mandato
Esse erro afasta eleitor e desgasta equipe. Às vezes vem da boa intenção. Às vezes vem da ansiedade de agradar. Mas o efeito é o mesmo. O cidadão guarda a fala, cobra depois e conclui que foi enrolado. Não interessa se a falha veio do limite institucional ou da empolgação do momento. A percepção negativa fica.
Vereador experiente precisa falar com firmeza e prudência. Pode se comprometer com cobrança, articulação, fiscalização e defesa da pauta. O que não pode é vender solução como certa quando ela depende de estruturas que não controla.
Política madura cresce na franqueza. Pode parecer menos sedutora no primeiro momento, mas constrói muito mais confiança no longo prazo.
7. Como montar uma rotina profissional de relacionamento com os eleitores
Relacionamento pós-eleição não pode depender do humor da semana. Precisa de rotina. Quando existe método, o mandato mantém constância mesmo em períodos mais pesados de agenda legislativa. E constância é o que evita aquele sobe e desce de presença que confunde a base.
Uma rotina boa não precisa ser complicada. Precisa ser executável. Melhor um plano simples que funcione do que uma estratégia cheia de nomes bonitos que nunca sai do papel.
7.1 Tenha calendário de comunicação
Defina uma cadência mínima. Por exemplo, uma prestação de contas semanal, uma explicação de pauta relevante, um conteúdo de bastidor, uma agenda na rua e uma escuta ativa com resposta. Isso já cria previsibilidade para a equipe e para o público.
O calendário também ajuda a evitar o desespero do improviso. Sem planejamento, a equipe corre atrás da postagem do dia. Com planejamento, ela trabalha com narrativa, coerência e prioridade. Essa diferença aparece no resultado.
Além disso, calendário não engessa. Ele organiza. Quando surge crise ou oportunidade, o mandato ajusta. Mas parte de uma base sólida.
7.2 Reunião interna precisa virar decisão prática
Gabinete que se reúne muito e decide pouco se perde. A equipe precisa olhar demanda da semana, pautas do plenário, retornos pendentes, conteúdo a publicar, agendas de rua e prioridades territoriais. Tudo isso deve gerar encaminhamento objetivo, com responsável e prazo.
Essa reunião é o coração da integração entre política, comunicação e atendimento. Sem ela, cada área anda sozinha. Com ela, o mandato começa a operar como time e não como somatório de boa vontade.
Na política municipal, organização interna é uma forma de carinho com o eleitor. Pode soar administrativo, mas é isso mesmo. Quem se organiza atende melhor.
7.3 Meça sinais simples de confiança
Nem tudo no relacionamento político cabe em planilha, mas muita coisa pode ser acompanhada. Quantas demandas foram respondidas. Quanto tempo a equipe leva para dar retorno. Quais temas mobilizam mais participação. Quais bairros interagem menos. Que tipo de conteúdo gera mais compreensão do que curtida vazia.
Esses sinais ajudam o mandato a sair da intuição pura e melhorar sua atuação. Às vezes a equipe acha que determinada pauta engajou muito, mas o que realmente trouxe confiança foi um vídeo simples explicando uma medida local. Às vezes o conteúdo mais bonito não foi o mais útil.
Mandato que observa sinais simples vai refinando a relação com o eleitor sem perder autenticidade.
8. O que sustenta um mandato próximo da população
No final das contas, manter relacionamento com os eleitores após as eleições não depende de uma única ferramenta. Depende de postura. Ferramenta ajuda. Método organiza. Equipe executa. Mas o que dá liga mesmo é a decisão política de não tratar o eleitor como número de campanha.
O vereador que constrói presença constante, escuta com seriedade, presta contas com clareza e assume limite com honestidade forma algo muito mais poderoso do que audiência passageira. Forma confiança. E confiança, na política municipal, é ativo de longo prazo.
Você pode ter um mandato combativo, técnico, comunitário, de pauta específica ou mais amplo. O estilo pode mudar. O que não muda é a necessidade de permanecer disponível em linguagem, em gesto e em prática. O eleitor quer perceber coerência entre o que ouviu na campanha e o que enxerga no mandato.
Eu costumo dizer que política boa não é só a que aparece no dia da vitória. É a que continua de porta aberta no dia comum. É a que responde sem arrogância. É a que explica sem enrolação. É a que entra no bairro sem pose. É a que sabe que confiança se renova no detalhe.
Se você quer manter sua base viva depois das eleições, faça uma escolha muito objetiva. Menos performance. Mais presença. Menos fala para plateia. Mais conversa com gente de verdade. Menos impulso de campanha. Mais constância de mandato. É assim que uma relação política sai do entusiasmo momentâneo e vira vínculo duradouro.
Com mais de 10 anos de atuação nos bastidores da política, Marcelo consolidou sua carreira como um estrategista focado em transformar a comunicação de líderes municipais. À frente do https://vereanca.com.br/, ele une sua paixão pela democracia à expertise técnica para oferecer o guia definitivo sobre o universo dos vereadores no Brasil.
Trajetória e Expertise
Especialista em Marketing Político e Comunicação Eleitoral, Marcelo compreende que a política municipal possui uma dinâmica única: é o “corpo a corpo”, a confiança do bairro e a solução de problemas reais que definem um mandato de sucesso.
Ao longo de sua trajetória, ele já:
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Coordenou estratégias de comunicação para campanhas legislativas vitoriosas.
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Atuou no treinamento de assessores e parlamentares, focando em posicionamento digital e gestão de reputação.
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Desenvolveu metodologias para traduzir o trabalho legislativo técnico em uma linguagem que o eleitor entende e valoriza.
A Visão por trás do Vereança
Para Marcelo, a figura do vereador é a engrenagem mais importante da democracia, mas também a menos compreendida. Ele fundou o portal com a convicção de que informação é poder. Sua missão é dupla:
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Para o Vereador: Fornecer as ferramentas para um mandato moderno, ético e comunicativo.
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Para o Cidadão: Oferecer clareza sobre como fiscalizar e participar da política local.
O Que Marcelo Acredita
“O marketing político de verdade não é sobre criar personagens, mas sobre dar voz ao trabalho que impacta a vida das pessoas. No Vereança, meu compromisso é mostrar que a política feita com técnica e transparência é o único caminho para cidades mais fortes.”
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