Se tem uma pergunta que nunca sai da cabeça do eleitor — e que também aparece bastante na boca de quem está pensando em entrar para a política — é justamente essa: quantas horas por dia um vereador trabalha? A resposta curta é que não existe um número fixo definido em lei para o mandato em si, mas a realidade prática é que um vereador comprometido com seu mandato trabalha tanto quanto qualquer outro profissional de alta responsabilidade — e muitas vezes mais.
Antes de entrar nos detalhes, preciso te dizer uma coisa com toda a franqueza: esse é um dos temas mais mal compreendidos da política municipal brasileira. A maioria das pessoas tem uma imagem distorcida da rotina de um vereador, e isso acaba prejudicando tanto quem quer entender o cargo quanto quem já está nele. Vamos mudar isso aqui.
O Mito das Duas Sessões por Semana
De Onde Vem Essa Percepção Popular
Quando você pergunta para qualquer pessoa na rua o que um vereador faz, a resposta mais comum é: “Ah, ele vai lá na câmara duas vezes por semana e pronto.” Essa percepção existe há décadas e tem uma raiz muito simples: as sessões plenárias são os momentos mais visíveis do trabalho parlamentar. São transmitidas ao vivo, aparecem no jornal, têm microfone e palanque. O resto do trabalho acontece nos bastidores e raramente ganha manchete.
Não dá pra culpar totalmente o eleitor por essa visão. Durante muitos anos, a comunicação das câmaras municipais foi praticamente nula. O vereador ia às sessões, votava, e o cidadão não sabia o que mais acontecia. Sem transparência, o espaço vazio foi preenchido por suposições. E a suposição mais cômoda é sempre a pior: que o cargo é fácil, que ninguém trabalha, que é só aparecer duas vezes por semana para assinar o contracheque.
A verdade é que essa visão distorcida chegou a um ponto que até propostas foram apresentadas no Senado Federal pedindo uma jornada mínima obrigatória de 6 horas diárias para vereadores, como forma de combater justamente o imaginário de que o mandato é uma ocupação de tempo parcial. O problema não é a falta de trabalho — é a falta de visibilidade desse trabalho. E parte da sua responsabilidade como vereador é resolver isso.
O Que Realmente Acontece nas Sessões Plenárias
As sessões plenárias das câmaras municipais acontecem normalmente uma a duas vezes por semana, mas isso não representa a totalidade da carga de trabalho. Essas sessões são os momentos formais de deliberação: é lá que os projetos de lei são discutidos, votados, onde os vereadores fazem seus pronunciamentos e apresentam requerimentos e indicações. É o ato final de um processo que começou muito antes.
Pensa assim: a sessão plenária é como a apresentação de um trabalho escolar. O que aparece para todo mundo é o momento da apresentação. Mas o trabalho de verdade — a pesquisa, a escrita, a revisão, as consultas com especialistas — aconteceu nos dias e semanas anteriores, sem plateia. Com o trabalho do vereador é a mesma coisa. A sessão é a ponta do iceberg.
Além das sessões plenárias, as câmaras têm comissões permanentes e temporárias — comissões de finanças, de saúde, de urbanismo, de educação — que se reúnem regularmente para analisar projetos, emitir pareceres técnicos e acompanhar a execução de políticas públicas. Essas reuniões de comissão acontecem ao longo de toda a semana e consomem boa parte do tempo parlamentar. São menos glamourosas, mas são onde o trabalho legislativo de verdade acontece.
Por Que a Confusão Entre Sessão e Jornada de Trabalho
A confusão entre “dias de sessão” e “jornada de trabalho” é antiga e tem consequências práticas bem sérias. O Tribunal de Contas de São Paulo, por exemplo, já orientou as câmaras municipais a registrar a carga horária do vereador considerando tanto as horas de sessão quanto as horas de expediente do gabinete. Ou seja, os próprios órgãos de controle reconhecem que a jornada vai muito além do plenário.
Do ponto de vista trabalhista, o mandato de vereador não segue as regras da CLT. Não existe carteira assinada, não existe ponto eletrônico obrigatório para o parlamentar em si, e não existe hora extra. O que existe é um compromisso com o eleitor e com o município que, na prática, se traduz em uma agenda que começa cedo e termina tarde. Quem trata o mandato como um emprego de 8 às 17 com hora marcada para sair raramente consegue entregar o que foi prometido na campanha.
É importante que você entenda essa distinção, especialmente se está pensando em se candidatar ou se já está no mandato. A ausência de uma jornada legalmente fixada não significa liberdade para trabalhar pouco. Significa responsabilidade para organizar o próprio tempo de forma que as demandas do cargo sejam atendidas. E essas demandas são muitas.
A Jornada Real: Do Gabinete à Rua
O Trabalho Dentro da Câmara Municipal
O gabinete parlamentar é onde começa o dia de muitos vereadores. É o espaço onde a equipe de assessores trabalha, onde as reuniões internas acontecem, onde os projetos de lei são redigidos e revisados. Uma câmara municipal com organização decente tem assessores com carga horária de 4 a 8 horas diárias. O vereador, por sua vez, costuma aparecer no gabinete antes das sessões, entre as reuniões de comissão, e depois das atividades externas.
Dentro da câmara, o trabalho vai muito além de votar. O vereador elabora projetos de lei, estuda os projetos apresentados por outros parlamentares ou pelo Executivo, encaminha requerimentos de informação ao prefeito, participa de audiências públicas, convoca secretários municipais para prestar esclarecimentos, e acompanha a execução orçamentária do município. São 36 funções formalmente previstas na Lei Orgânica de Curitiba, por exemplo — e outras câmaras têm atribuições similares.
Um dia típico na câmara pode começar às 8h com uma reunião de comissão de finanças para analisar o orçamento suplementar da prefeitura, passar por uma audiência pública sobre mobilidade urbana no meio da manhã, ter sessão plenária à tarde, e terminar com atendimento a lideranças comunitárias no final do expediente. Isso sem contar as demandas que chegam por telefone, WhatsApp e e-mail ao longo de tudo isso.
O Trabalho Fora da Câmara: Bairros, Reuniões e Comunidade
Se o trabalho dentro da câmara já é intenso, o trabalho fora dela é onde o mandato ganha vida de verdade. O vereador é a figura mais próxima do eleitor em toda a estrutura política brasileira. Ele é o primeiro ponto de contato quando um bairro precisa de um buraco tapado, quando uma escola precisa de reforma, quando uma comunidade precisa de um equipamento público.
Visitar bairros, participar de reuniões de associações de moradores, comparecer a eventos nas escolas, acompanhar obras fiscalizadas, reunir-se com lideranças religiosas, empresariais e sindicais — tudo isso faz parte da rotina de campo do vereador. Essas atividades não têm horário fixo. Algumas acontecem de manhã cedo, outras à noite, outras em locais distantes do centro da cidade. É um trabalho que exige disposição física e emocional constante.
Tem ainda a representação institucional: participar de eventos em nome da câmara municipal, representar o município em encontros regionais, acompanhar delegações em visitas técnicas. Para quem está de fora, parece luxo. Para quem está dentro, é mais uma demanda numa agenda já cheia. E é preciso escolher bem quais dessas atividades realmente agregam valor ao mandato e quais são apenas presença por obrigação social.
O Fim de Semana Que Não Existe para o Vereador
Aqui está um ponto que muita gente não percebe: o vereador trabalha sete dias por semana. Não estou exagerando. Nos finais de semana, quando a câmara está fechada, é justamente quando os eventos comunitários, as festas de bairro, os bazares das igrejas, os campeonatos escolares e os encontros de lideranças acontecem. E o vereador que não aparece nessas ocasiões rapidamente some do mapa político.
Sábado de manhã tem reunião da associação de moradores do bairro X. Domingo tem inauguração de uma quadra esportiva no bairro Y. Tarde do domingo tem churrasco de confraternização da associação de catadores da cidade. Essas agendas não aparecem no plenário, não geram votação, não têm registro oficial. Mas são fundamentais para manter o mandato vivo e a conexão com o eleitor ativa.
Por isso, quando alguém te perguntar quantas horas por dia um vereador trabalha, a resposta honesta é: entre 8 e 12 horas em dias de sessão, entre 6 e 10 horas em dias normais de gabinete e campo, e pelo menos 4 a 6 horas nos fins de semana de agenda cheia. Some isso e você tem facilmente uma carga semanal de 50 a 60 horas para um mandato bem exercido.
As Funções Legais e o Peso do Mandato
A Função Legislativa: Elaborar e Votar Projetos de Lei
A função mais conhecida do vereador é legislar. Ele propõe, debate e vota projetos de lei sobre matérias de competência municipal. Isso inclui desde legislação tributária e orçamentária até normas de zoneamento urbano, planos de carreira de servidores, e regulamentação de serviços municipais. Cada um desses temas exige estudo, consulta a técnicos e juristas, e muita negociação política.
Elaborar um bom projeto de lei não é uma tarefa de uma tarde. Dependendo da matéria, pode levar semanas de pesquisa, consulta a especialistas, audiências públicas para colher a opinião da sociedade, e rodadas de revisão jurídica. Vereadores que apresentam projetos de qualidade investem tempo de verdade nessa função — e é esse tempo invisível que a maioria das pessoas não contabiliza quando pergunta sobre a jornada do cargo.
Do ponto de vista prático para a sua gestão do mandato, cada projeto de lei é um produto do seu trabalho como parlamentar. Tratá-lo com descaso é entregar um produto ruim. Um projeto mal elaborado volta cheio de emendas, provoca controvérsias desnecessárias, ou simplesmente não funciona quando aprovado. O tempo investido na elaboração é o tempo que garante a qualidade da legislação municipal — e, consequentemente, a qualidade de vida dos seus eleitores.
A Função Fiscalizatória: Fiscalizar a Prefeitura
Se a função legislativa é a mais conhecida, a função fiscalizatória é provavelmente a mais importante — e a mais trabalhosa. O vereador tem o dever legal de fiscalizar e controlar os atos do Poder Executivo, incluindo a administração indireta. Isso significa acompanhar a execução orçamentária, investigar contratos suspeitos, questionar obras superfaturadas, e exigir transparência na gestão dos recursos públicos.
Na prática, a fiscalização envolve ler relatórios contábeis e financeiros da prefeitura, analisar licitações e contratos, fazer visitas técnicas a obras e equipamentos públicos, enviar requerimentos de informação ao prefeito e secretários, e criar comissões parlamentares de inquérito quando houver indícios de irregularidades. É um trabalho que exige conhecimento técnico — e é aqui que entra o meu campo de atuação como contador.
Um vereador que entende de contabilidade pública tem uma vantagem enorme na hora de fiscalizar. Saber ler um balanço, entender o que é uma despesa empenhada versus liquidada, identificar inconsistências no relatório de execução orçamentária — esses conhecimentos transformam a fiscalização de uma atividade genérica em um trabalho cirúrgico e eficiente. E é exatamente esse nível de profundidade que faz a diferença entre um mandato de impacto e um mandato de aparência.
A Função Representativa: Ser a Voz do Eleitor
O vereador é o representante mais próximo que o cidadão tem no poder público. Essa proximidade é um dos elementos mais bonitos da democracia municipal — e também um dos mais desgastantes para quem ocupa o cargo. Toda demanda que chega até você como vereador é uma expectativa real de uma pessoa real. Um pai pedindo calçamento na rua onde o filho vai à escola. Uma mãe cobrando a reforma do posto de saúde do bairro. Um comerciante pedindo sinalização viária na esquina perigosa.
Atender essas demandas é parte central da função representativa. Isso vai desde o atendimento presencial no gabinete até as visitas de campo para verificar a situação in loco, passando pelo encaminhamento formal das solicitações ao Executivo e o acompanhamento das respostas. O vereador que não atende bem o eleitor perde relevância política, mesmo que seja tecnicamente excelente na função legislativa.
Mas a representação vai além do individual. O vereador também representa grupos, comunidades e setores da sociedade. Participa de audiências públicas onde dá voz a populações vulneráveis, media conflitos entre a prefeitura e organizações da sociedade civil, e advoga pelo interesse coletivo de quem não tem acesso direto aos corredores do poder. É uma função que exige escuta ativa, empatia, e capacidade de traduzir demandas complexas em ações concretas.
Como Organizar e Registrar a Jornada do Vereador
O Controle de Ponto e a Transparência Pública
Embora o vereador em si não tenha obrigação de bater ponto, os assessores parlamentares têm e a câmara como instituição precisa de controles internos. Algumas câmaras já adotam sistemas de registro eletrônico para assessores, com carga horária de 4 a 8 horas diárias dependendo do cargo. Essa organização interna impacta diretamente a produtividade do gabinete e, por consequência, a efetividade do mandato.
Do ponto de vista da transparência pública, o Tribunal de Contas tem apontado irregularidades em câmaras municipais que não conseguem demonstrar o cumprimento de carga horária mínima pelos assessores. Isso significa que o vereador que não controla a jornada da sua equipe está sujeito a questionamentos nos órgãos de controle — e, pior, pode ser responsabilizado por irregularidades que aconteceram por falta de gestão básica.
A dica prática aqui é simples: trate o gabinete como uma empresa. Tenha registros das atividades realizadas, das reuniões que aconteceram, dos requerimentos encaminhados, das visitas de campo realizadas. Esses registros não são burocracia — são evidências do trabalho que foi feito. E em um ambiente de alta cobrança como a política municipal, evidências valem ouro.
Como Usar Planilhas e Ferramentas para Registrar Atividades
A organização da agenda parlamentar começa com uma ferramenta simples: um sistema de registro de atividades. Pode ser uma planilha de Google Sheets, um aplicativo de gestão de tarefas, ou até mesmo um sistema específico para gestão parlamentar. O que importa é que tudo esteja registrado: reuniões, audiências, visitas, requerimentos, projetos em elaboração e em andamento.
Uma planilha básica de controle de atividades parlamentares tem pelo menos quatro colunas: data, tipo de atividade (sessão, reunião de comissão, visita de campo, atendimento ao público, elaboração de projeto), tempo dedicado, e resultado ou encaminhamento dado. Com esse registro semanal, você tem um histórico completo do mandato que serve tanto para prestação de contas quanto para planejamento futuro. E te ajuda a responder com dados concretos quando alguém perguntar o que você fez na semana.
Há ferramentas mais sofisticadas disponíveis hoje, como sistemas de gestão parlamentar específicos para câmaras municipais, aplicativos de CRM adaptados para o contexto político, e plataformas de transparência que publicam automaticamente as atividades realizadas. Independentemente da ferramenta escolhida, o princípio é o mesmo: o que não está registrado não existiu. Para um cargo público, a máxima é ainda mais verdadeira.
A Importância do Relatório de Atividades para Prestação de Contas
Um dos instrumentos mais poderosos que um vereador pode usar — e poucos usam — é o relatório periódico de atividades. Trata-se de um documento que consolida tudo o que foi feito em determinado período: projetos apresentados, votações realizadas, requerimentos encaminhados, audiências públicas organizadas, obras fiscalizadas, demandas da comunidade atendidas. É a versão impressa do mandato.
Esse relatório cumpre três funções ao mesmo tempo. Primeiro, é uma ferramenta de transparência com o eleitor: você mostra o que fez com o mandato que ele te deu. Segundo, é uma ferramenta de comunicação: o relatório vira material para o site, para as redes sociais, para a assessoria de imprensa. Terceiro, é uma ferramenta de planejamento: ao revisar o que foi feito, você identifica o que ainda precisa ser feito e o que precisa ser ajustado.
Do ponto de vista contábil, o relatório de atividades é o equivalente do balanço patrimonial de uma empresa. Ele mostra a saúde do mandato — o ativo, que são os projetos aprovados e as demandas atendidas; e o passivo, que são as promessas feitas e ainda não cumpridas. Um bom vereador faz esse balanço regularmente, pelo menos a cada trimestre, e usa as informações para tomar decisões mais inteligentes sobre onde investir o seu tempo e energia.
Produtividade no Mandato: Como Trabalhar Melhor, Não Mais
Planejamento Semanal e Priorização de Demandas
Um dos maiores erros que vereadores cometem — especialmente os que estão no primeiro mandato — é deixar a agenda ser preenchida por outros. A semana começa sem planejamento, e logo aparecem convites para eventos, pedidos de reunião de grupos variados, demandas urgentes que não eram urgentes na semana anterior, e aquele assessor que aparece na porta com um problema que “não pode esperar.” No fim da semana, você fez muito e avançou pouco.
A solução é reservar um tempo fixo — pelo menos uma hora toda segunda-feira — para planejar a semana. Defina quais são as três a cinco prioridades da semana: o projeto de lei que precisa ser finalizado, a reunião de comissão que exige preparação, a visita de campo que estava atrasada, o requerimento que precisa de encaminhamento. Com as prioridades definidas, a agenda é construída em torno delas — não o contrário.
A priorização também exige clareza sobre o que é urgente e o que é importante. Na gestão do tempo, a confusão entre essas duas categorias é uma das principais causas de improdutividade. Demandas urgentes não são necessariamente importantes. Uma ligação de eleitor reclamando de um buraco na rua é urgente para quem ligou, mas pode ser encaminhada por um assessor em 10 minutos. Já a preparação para uma votação crucial no orçamento municipal é importante e exige o seu tempo e atenção direta.
Delegação de Tarefas para a Equipe de Assessores
O vereador que tenta fazer tudo sozinho não entrega bem nada. A delegação eficiente para a equipe de assessores é o que separa um mandato produtivo de um mandato caótico. Cada assessor do gabinete tem um perfil e uma área de atuação — e o vereador precisa conhecer bem essas capacidades para distribuir as responsabilidades de forma inteligente.
Um assessor jurídico cuida da redação e revisão de projetos de lei. Um assessor de comunicação cuida da presença nas redes sociais, do atendimento à imprensa e da produção de conteúdo sobre o mandato. Um assessor de gabinete gerencia a agenda, filtra as demandas que chegam e organiza os encaminhamentos. Um assessor parlamentar acompanha as votações, as tramitações e os pareceres das comissões. Com essa divisão clara, você mantém a visão estratégica do mandato sem se perder nos detalhes operacionais.
A delegação eficiente tem um pré-requisito: confiança. Você precisa confiar na sua equipe, e essa confiança se constrói com treinamento, com comunicação clara sobre o que você espera de cada pessoa, e com um sistema de acompanhamento que não vira microgerenciamento. Dê autonomia para a equipe resolver o que é rotina, e reserve a sua atenção para as decisões que exigem o julgamento político que só você tem.
Ferramentas e Rotinas que Todo Vereador Deveria Adotar
A tecnologia transformou a forma de trabalhar nos últimos anos, e o mandato parlamentar não ficou de fora. Vereadores que adotam ferramentas digitais de gestão conseguem fazer mais em menos tempo — e com mais qualidade. Aqui estão algumas práticas concretas que fazem diferença na rotina parlamentar.
Primeiro, use um sistema unificado de gestão de demandas. Toda solicitação que chega — seja por telefone, WhatsApp, e-mail ou pessoalmente — precisa entrar em um sistema centralizado com o nome do solicitante, a demanda, o encaminhamento dado e o prazo para resposta. Isso evita que demandas se percam, garante que o eleitor receba retorno, e te dá dados sobre quais são os temas mais recorrentes na sua base eleitoral.
Segundo, mantenha uma rotina de leitura técnica. Todo vereador deveria ler regularmente o Diário Oficial do município, os relatórios de execução orçamentária, os resumos das atas das comissões em que não participa diretamente, e os pareceres do Tribunal de Contas sobre as contas municipais. Essa leitura técnica é o que alimenta a fiscalização eficiente — sem ela, você só age de forma reativa, quando o problema já virou escândalo. Com ela, você age preventivamente, que é onde o trabalho legislativo de maior impacto acontece.
Exercício 1: Mapeamento da Jornada Semanal
Este exercício ajuda você a enxergar com clareza como está distribuindo o seu tempo ao longo da semana e onde estão os gaps de produtividade.
Pegue um papel ou uma planilha e divida a semana em cinco categorias de atividade: Função Legislativa (elaboração de projetos, participação em sessões e comissões), Função Fiscalizatória (leitura de relatórios, requerimentos, visitas de fiscalização), Função Representativa (atendimento ao público, visitas de campo, eventos comunitários), Gestão Interna (reuniões com equipe, planejamento, comunicação institucional) e Desenvolvimento Pessoal (leitura técnica, cursos, atualização).
Registre, por uma semana inteira, quantas horas você dedica a cada categoria. Ao final, some os totais e compare com o ideal para um mandato equilibrado: pelo menos 25% do tempo em função legislativa, 20% em fiscalização, 30% em representação, 15% em gestão interna, e 10% em desenvolvimento pessoal. Se uma categoria está muito acima ou muito abaixo do ideal, você identificou onde o mandato está desequilibrado.
Resposta esperada: Um vereador que passa mais de 50% do tempo em eventos representativos e menos de 10% em função legislativa está entregando presença sem substância. O equilíbrio entre as funções é o que define um mandato completo. Se você identificar esse desequilíbrio, o próximo passo é rever a agenda das semanas seguintes e criar blocos de tempo protegidos para as funções que estão sendo negligenciadas.
Exercício 2: Construindo o Relatório Trimestral de Atividades
Este exercício tem como objetivo criar o hábito de documentar e comunicar o trabalho realizado, transformando a prestação de contas em uma ferramenta estratégica de mandato.
Selecione os últimos três meses do seu mandato. Para cada mês, levante os seguintes dados: número de projetos de lei apresentados, número de requerimentos encaminhados, número de sessões plenárias com presença registrada, número de reuniões de comissão, número de visitas de campo realizadas, número de atendimentos ao público no gabinete, e pelo menos dois resultados concretos para a comunidade (obras fiscalizadas que foram executadas, demandas atendidas que geraram resultado visível, legislação aprovada que entrou em vigor).
Com esses dados, monte um relatório de uma página para cada mês, com os números principais em destaque e dois parágrafos descritivos sobre os avanços mais relevantes do período. Ao final, compile os três relatórios em um relatório trimestral e publique no site da câmara, nas redes sociais do seu gabinete, e envie por e-mail para a sua base de apoio.
Resposta esperada: Um relatório bem feito vai revelar duas coisas. Primeiro, vai mostrar para o eleitor o trabalho que você faz e que ele frequentemente não vê. Segundo, vai mostrar para você mesmo onde o mandato precisa de ajustes. Se em três meses você apresentou apenas um projeto de lei, isso é um sinal claro de que a função legislativa está sendo negligenciada. Se você fez 60 visitas de campo mas zero reuniões de comissão, o equilíbrio entre representação e legislação está comprometido. O relatório é o espelho do mandato — e olhar para esse espelho com honestidade é o que transforma um mandato mediano em um mandato de referência.
Esse é o retrato real de quanto trabalho existe por trás de um mandato de vereador. Não é o cargo fácil que muita gente imagina — e também não precisa ser o caos que alguns parlamentares criam por falta de organização. Com planejamento, delegação inteligente e o uso correto das ferramentas disponíveis, dá para exercer o mandato com excelência e ainda ter qualidade de vida. O vereador que trabalha bem não trabalha mais — trabalha de forma mais inteligente.
Com mais de 10 anos de atuação nos bastidores da política, Marcelo consolidou sua carreira como um estrategista focado em transformar a comunicação de líderes municipais. À frente do https://vereanca.com.br/, ele une sua paixão pela democracia à expertise técnica para oferecer o guia definitivo sobre o universo dos vereadores no Brasil.
Trajetória e Expertise
Especialista em Marketing Político e Comunicação Eleitoral, Marcelo compreende que a política municipal possui uma dinâmica única: é o “corpo a corpo”, a confiança do bairro e a solução de problemas reais que definem um mandato de sucesso.
Ao longo de sua trajetória, ele já:
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Coordenou estratégias de comunicação para campanhas legislativas vitoriosas.
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Atuou no treinamento de assessores e parlamentares, focando em posicionamento digital e gestão de reputação.
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Desenvolveu metodologias para traduzir o trabalho legislativo técnico em uma linguagem que o eleitor entende e valoriza.
A Visão por trás do Vereança
Para Marcelo, a figura do vereador é a engrenagem mais importante da democracia, mas também a menos compreendida. Ele fundou o portal com a convicção de que informação é poder. Sua missão é dupla:
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Para o Vereador: Fornecer as ferramentas para um mandato moderno, ético e comunicativo.
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Para o Cidadão: Oferecer clareza sobre como fiscalizar e participar da política local.
O Que Marcelo Acredita
“O marketing político de verdade não é sobre criar personagens, mas sobre dar voz ao trabalho que impacta a vida das pessoas. No Vereança, meu compromisso é mostrar que a política feita com técnica e transparência é o único caminho para cidades mais fortes.”
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